
Eu aqui me confesso perante o mundo. Sou doente pelo Mundial de futebol. De quatro em quatro anos, os sintomas regressam e cada vez com maior intensidade. Cada jogo perdido, seja um Togo-Coreia ou um Espanha-Ucrânia, causam-me suores frios, irritação e um sem número de palavrões silenciosos enquanto vou debitando caracteres sobre assuntos desinteressantes. O Mundial é, pois, uma boa razão para reavivar este blog. Ao fim de cinco dias de jogos, tenho a dizer:
- grande artigo de opinião no Público de ontem, do historiador José Neves, a lamentar a vitória da
futebolite sobre o
futebol, isto é, do foclore sobre o jogo propriamente dito. “Precisamos de menos futebolite e de melhor futebol. De mais bola corrida e de menos conversa fiada. (…) E em vez dos 900 minutos dedicados ao luxo concentracionário do hotel alemão da selecção portuguesa, precisamos de um canal público que se digne a transmitir um simples jogo de futebol de 90 minutos durante o Mundial”. Concordo a cem por cento. Estou farto do “fait-divers” do emigrante tuga à espera do autógrafo matinal da estrela da selecção.
- Fiquem atentos aos textos do
Manuel Alegre no Público.
- Se não têm Sport TV, que tal ver os
jogos à borla em http://livefooty.doctor-serv.com/
- Os jogos até nem têm sido espectaculares, mas os
golos são muitos (31 em cinco dias) e bons. Gostei especialmente dos golos do Rosicky (o 2-0), do Pirlo, do Ahn, do Kaká e do Frings. Tudo grandes remates de fora-da-área, que a “Teamgeist” e as cautelas defensivas dão mais para isso do que para grandes jogadas de envolvimento.
- No debate entre os scolaristas e os anti-scolaristas, fico no meio. Nem acho que Portugal cumpriu totalmente a sua missão contra Angola, nem acho que devíamos ter dado 5-0. A exibição foi fraca, o resultado foi
bom. Destaque-se que começámos melhor do que há dois e quatro anos, mas reconheça-se que precisaremos de muito mais nos próximos jogos. Especialmente de mais ambição e velocidade.
- As críticas de Scolari à imprensa só podem ser entendidas de duas formas. Ou tem péssimo poder de encaixe ou está a recorrer à velha técnica de usar a imprensa como o inimigo a abater, de forma a unir a equipa. Inclino-me mais para a segunda.
É a táctica à Pinto da Costa. Por isso, também cada vez mais penso que Scolari e Pinto da Costa têm o mesmo perfil. Não fosse a guerra do Baía e do Quaresma, e o Scolari ainda teria oportunidade de se sentar no banco do Dragão.
- Após cinco dias, nenhum dos favoritos convenceu totalmente. A Argentina e a Itália pareceram-me os mais consistentes. A
República Checa voltou a mostrar o melhor futebol.