Renascere

22 Fevereiro 2006

A bunda

No melhor programa da rádio portuguesa (Pessoal e Transmissível, TSF), apanhei o Carlos Vaz Marques a entrevistar a Daniela Mercury. Falou-se da bunda brasileira e lembrei-me disto:

A bunda que engraçada

A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.

Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora – murmura a bunda – esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.

A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.

A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.

Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.

A bunda é a bunda,
rebunda.

Carlos Drummond de Andrade

Identidades assassinas

O livro de Amin Maalouf não me sai da cabeça desde que vi o Munique, de Spielberg. E pensado bem, lembro-me sempre da tese quando olho para os conflitos internacionais, do Kosovo, ao Darfur, dos cartoons à Palestina/Israel. "As Identidades Assassinas", como o próprio nome indica, defende a tese de que os grandes conflitos da humanidade têm origem no apego desmesurado à identidade, seja ela nacionalista ou religiosa. Era tudo tão mais fácil se não pensássemos o mundo sempre com base em critérios de identidades opositoras, católicosvs. muçulmanos, europeus vs.arábes, etc...

O amor

Li há dias no Público (15-Fev-06) uma das mais comoventes declarações de amor que alguma vez tive oportunidade de contemplar. Atrevo-me a citar, porque acredito ser esta também uma forma de homenagem ao amor. Escreveu o marido sobre a mulher, que, doente, acabara de partir:

“Até ao fim pedi um milagre. A parada foi subindo, mas sempre acreditei. Mal sabia eu que o milagre já me fora dado: era esta amiga, mulher, mãe com quem vivi”.

My new friend


Fotoesfera, cá está ela. Apresento-te a minha nova amiga.