
"Dez segundos é muito na vida do herói. Diego Armando Maradona dançou e saiu
como um projéctil enlouquecido. Com a bola, o corpo e as velocidades vendeu gato
por lebre a cinco súbditos do Império Britânico e colocou um golo maravilhoso na
história de todos. Foi no México, no campo Inglaterra e Argentina jogavam um
desses jogos a eliminar. Calor, poluição, altitude. Milhões estavam a observar.
Tensão, medo, emoção. Já sabem. Rapidamente, Negro Enrique vê Maradona e
entrega-lhe a bola com um passe curto. O 'Dez' recebeu, de costas para a baliza
contrária, com um inglês de cada lado e ainda no seu meio-campo. Controlou,
girou e meteu-se em contramão numa auto-estrada que só um louco podia percorrer.
Faltavam algo mais de cinquenta metros e muitas curvas, esperavam-no tipos
duros, mas nobres. Começava a grande antologia da finta. Beleza, assombro e um
final útil. Vi-o mil vezes. Dez segundos, dez toques: um herói com o número
dez".
Jorge Valdano, in livro "Sonhos de futebol", descrevendo o melhor golo de sempre, marcado por Maradona nos quartos-de-final do México 86, contra a Inglaterra. Foi há exactamente 20 anos, no dia 22 de Junho de 1986, que 114 580 espectadores presenciaram ao vivo esta obra de arte. Os argentinos até recordam com maior prazer a "mão de Deus", protagonizada por Maradona quatro minutos antes, mas quem gosta verdadeiramente de futebol dará primazia a esta
jogada de génio. E hoje Valdano volta a escrever sobre isto no
Guardian.
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