A Babá estava à minha espera
Lisboa, 25 de Setembro de 2005. Acordo cedo. Muito Cedo. São sete e meia. Visto os meus calções azuis, t-shirt branca e os ténis de corrida. Coloco o dorsal ao peito (um contra-senso!!!) e por causa dele vou de borla no metro. Não sou o único “atleta-amador-maluco-que-se-levanta-cedo-para-correr-oito-quilómetros”. Há centenas de pessoas e de todos os tipos. Casais de namorados, quarentões, avôs, pais e filhos, grupos de adolescentes. Chegado ao Parque das Nações, apanho o autocarro para o meio da ponte. Segue-se uma hora e meia de espera, ao sol, sentado no tabuleiro, rodeado de milhares de pessoas. “O que fazem estes malucos aqui?”, questionar-se-ão os passageiros dos automóveis que viajam na faixa contrária. Uma manhã diferente, saudável. Um desafio, um teste à resistência física. Finalmente é hora de partir. Nos primeiros metros, o engarrafamento de gente é tal que não dá para correr. Sucedem-se os encontrões. Sete minutos depois da partida oficial, passo finalmente a linha de partida. Há muita gente de facto. Inicio a contagem no meu relógio. E aí vou eu. Passo de corrida constante, respiração bem controlado, e encarno o papel de Carlos Lopes. O sol queima. Passaram três quilómetros. Já bebia qualquer coisa. Mas ainda falta bastante para o reabastecimento. Cinco quilómetros: está quase a acabar o percurso na ponte. Curvamos à direita e eis as desejadas garrafas de água. Tomo uma autêntico banho. Sinto-me revigorado. Já falta pouco. Só mais um bocadinho. Eis a rotunda, a descida para o Parque das Nações e passo a porta Norte. A meta está quase à vista. Estou a rebentar de calor. Mas aguenta, coração. Está quase. Já vejo a meta. É hora do sprint final, do último esforço, do último round contra o relógio. Vou conseguir ficar pelos 47 minutos. Uma média de 10,21 km/h. Óptimo. E, repente, ali está ela. Babá. Bárbara Guimarães. Sorri na minha direcção. Acena. Abre os braços. “Será para mim?”, questiono-me, quase alucinado pelo cansaço. Olho para trás e vejo Carrilho. Agora percebo. Viro-lhe as costas. Não o cumprimento. Eu é que mereço uma recepção da Bárbara… e não ele.








