18 Agosto 2006
03 Julho 2006
Nélson Rodrigues
Li n' "O Globo" que Nélson Rodrigues tem um site, criado pela filha, que publicará alguns textos inéditos do dramaturgo e jornalista falecido em 1980. Julgo que o site ainda deve estar numa fase de construção, porque ainda não consigo ver algumas das coisas (textos inéditos) que "O Globo" anuncia.
Vitórias reais

Como é bom viver uma prova – especialmente um Mundial – com vitórias reais, sem aquela conversa das vitórias morais, do “jogámos melhor, mas tivemos azar”. É provável que venha o dia em que ganhar não será suficiente, como acontece actualmente com o Brasil, obrigado a jogar bonito e a dar espectáculo. Agora ficam os ingleses com aquele típico mau perder: até culpam o Cristiano Ronaldo pela expulsão do Rooney, acusando o português de pressionar o árbitro. Mas tudo não passa de folclore para não discutir os verdadeiros problemas: a conduta anti-desportiva de Rooney e o fracasso da selecção inglês e de um seleccionador que, como diz o Guardian, mudou pouco na equipa por muito dinheiro.
P.S. Ainda estou para perceber como é que um guarda-redes que defende três penaltis num Mundial, e que durante os 120 minutos de jogo fez uma boa exibição, não é eleito o melhor em campo pela FIFA. É verdade que o Owen Hargreaves jogou bem, mas também é preciso destacar que cometeu cinco faltas (toda a equipa de Portugal cometeu dez no jogo com a Holanda) e só viu o amarelo por protestos. Além de que a única coisa de palpável que fez foi marcar um penalti ao Ricardo, o que, digamos, não tem sequer um terço do mérito de defender três penaltis.
29 Junho 2006
O hino, senhor juiz
Li há dias que um tribunal recusou a nacionalidade portuguesa a uma pessoa que vive há vários anos no nosso país, alegando que essa cidadã não conhecia o hino. Pergunto, senhor juiz, quantos portugueses saberão a letra do hino, de fio a pavio? Dez, cem, mil?
"A Portuguesa"
I
Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria, sente-se a voz
Dos teus egrégios avós
Que há-de guiar-te à vitória!
Às armas, às armas!
Sobre a terra sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar Contra os canhões marchar, marchar!
II
Desfralda a invicta Bandeira,
À luz viva do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu
Beija o solo teu jucundo
O oceano, a rugir d`amor,
E o teu Braço vencedor
Deu mundos novos ao mundo!
Às armas, às armas!
Sobre a terra sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!
III
Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal de ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte.
Às armas, às armas!
Sobre aterra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!
"A Portuguesa"
I
Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria, sente-se a voz
Dos teus egrégios avós
Que há-de guiar-te à vitória!
Às armas, às armas!
Sobre a terra sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar Contra os canhões marchar, marchar!
II
Desfralda a invicta Bandeira,
À luz viva do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu
Beija o solo teu jucundo
O oceano, a rugir d`amor,
E o teu Braço vencedor
Deu mundos novos ao mundo!
Às armas, às armas!
Sobre a terra sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!
III
Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal de ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte.
Às armas, às armas!
Sobre aterra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!
27 Junho 2006
Mais ecos do Mundial
- João Miguel Tavares escreve, no DN de hoje, uma boa crónica sobre o futebol e diz um bom par de verdades sobre a actuação do árbitro no Portugal-Holanda.
- Já o tinha dito e parece que há mais gente que concorda. Scolari e Pinto da Costa são farinha do mesmo saco. Unem os seus arranjando inimigos exteriores. Aqui e aqui.
- Os ingleses já debatem, no Guardian, se podem ganhar a Portugal. e apresentam cinco razões para o optimismo inglês e cinco razões para o pessimismo.
- Já o tinha dito e parece que há mais gente que concorda. Scolari e Pinto da Costa são farinha do mesmo saco. Unem os seus arranjando inimigos exteriores. Aqui e aqui.
- Os ingleses já debatem, no Guardian, se podem ganhar a Portugal. e apresentam cinco razões para o optimismo inglês e cinco razões para o pessimismo.
Contradições à Bush
George W. Bush diz que o aquecimento global é um problema. George W. Bush diz que os EUA não ratificam o protocolo de Quioto. Os Estados Unidos têm sete por cento da população mundial e consomem 25 por cento do petróleo mundial, tendo combustíveis muito mais baratos do que os europeus. George W. Bush diz que é preciso deixar de discutir as causas e encontrar soluções. Parece-me fácil Bush contribuir para diminuir a dependência do petróleo. Dahh.
26 Junho 2006
O milagre de Nuremberga
Portugal venceu a Holanda com muito mais coração do que futebol, acima de tudo porque o árbitro e os ditames da FIFA não deixaram que duas das melhores selecções europeias se dedicassem ao que sabem: jogar futebol. Tudo começou no brutal pontapé dado a Cristiano Ronaldo, lance que desorientou a selecção portuguesa, afastando-a do controlo emocional e maturidade que tem evidenciado nos últimos anos. Acho curioso que o senhor Blatter venha agora dar um cartão amarelo a Valentin Ivanov, quando foi a própria FIFA a exigir mais rigor aos árbitros e dar-lhes indicações mais precisas sobre os lances que deseja ver penalizados. E se o senhor Ivanov tivesse seguido à risca as indicações da FIFA mais jogadores teriam sido expulsos.
O problema da FIFA é que há poucos árbitros que saibam realmente de futebol, isto é, que saibam distinguir uma entrada para magoar de uma entrada em que um jogador tenta jogar a bola. Neste Mundial fazer uma falta é quase significado de cartão. Não estou a, nem quero, defender o jogo violento, mas é preciso ter o bom-senso de permitir alguma intensidade, algum confronto, isto claro penalizando sempre quem entra para violentar o adversário.
Da exibição de Portugal – e além de desempenhos individuais brilhantes, como o de Ricardo, Miguel, Ricardo Carvalho e Maniche – nota-se que a selecção tem alma e sorte. E esta é sempre necessária a qualquer campeão. Temos uma certa vantagem psicológica sobre a Inglaterra, uma selecção perigosa que joga à Mourinho. É mais um jogo, é mais uma final.
O problema da FIFA é que há poucos árbitros que saibam realmente de futebol, isto é, que saibam distinguir uma entrada para magoar de uma entrada em que um jogador tenta jogar a bola. Neste Mundial fazer uma falta é quase significado de cartão. Não estou a, nem quero, defender o jogo violento, mas é preciso ter o bom-senso de permitir alguma intensidade, algum confronto, isto claro penalizando sempre quem entra para violentar o adversário.
Da exibição de Portugal – e além de desempenhos individuais brilhantes, como o de Ricardo, Miguel, Ricardo Carvalho e Maniche – nota-se que a selecção tem alma e sorte. E esta é sempre necessária a qualquer campeão. Temos uma certa vantagem psicológica sobre a Inglaterra, uma selecção perigosa que joga à Mourinho. É mais um jogo, é mais uma final.
22 Junho 2006
Foi há 20 anos

"Dez segundos é muito na vida do herói. Diego Armando Maradona dançou e saiuJorge Valdano, in livro "Sonhos de futebol", descrevendo o melhor golo de sempre, marcado por Maradona nos quartos-de-final do México 86, contra a Inglaterra. Foi há exactamente 20 anos, no dia 22 de Junho de 1986, que 114 580 espectadores presenciaram ao vivo esta obra de arte. Os argentinos até recordam com maior prazer a "mão de Deus", protagonizada por Maradona quatro minutos antes, mas quem gosta verdadeiramente de futebol dará primazia a esta jogada de génio. E hoje Valdano volta a escrever sobre isto no Guardian.
como um projéctil enlouquecido. Com a bola, o corpo e as velocidades vendeu gato
por lebre a cinco súbditos do Império Britânico e colocou um golo maravilhoso na
história de todos. Foi no México, no campo Inglaterra e Argentina jogavam um
desses jogos a eliminar. Calor, poluição, altitude. Milhões estavam a observar.
Tensão, medo, emoção. Já sabem. Rapidamente, Negro Enrique vê Maradona e
entrega-lhe a bola com um passe curto. O 'Dez' recebeu, de costas para a baliza
contrária, com um inglês de cada lado e ainda no seu meio-campo. Controlou,
girou e meteu-se em contramão numa auto-estrada que só um louco podia percorrer.
Faltavam algo mais de cinquenta metros e muitas curvas, esperavam-no tipos
duros, mas nobres. Começava a grande antologia da finta. Beleza, assombro e um
final útil. Vi-o mil vezes. Dez segundos, dez toques: um herói com o número
dez".
21 Junho 2006
O vício - parte VI

Adriano, o avançado brasileiro do Inter, vai ser a cara da capa europeia do Pro Evolution Soccer 6. A parte 6 do melhor jogo de futebol chega no Outono, diz a Marca.
Capela Sistina futebolística


Na estação de Colónia, na Alemanha, a agência TBWA reinventou para a Adidas o fresco da Capela Sistina. [Dica de Tese e Antítese]. Neste site há também outros trabalhos bem interessantes.
Carioca

Chico Buarque lançou um novo disco. Chama-se "Carioca" e é o primeiro desde 1998. Estou curioso para ouvir. As letras estão aqui.
A pureza de Messi

A história foi contada no “El País” há dias e ilustra bem a pureza e irreverência de Lionel Messi, jogador da Argentina. Parece que o menino, de 19 anos (completa 20 anos no sábado), não liga grande coisa às hierarquias da bola, isto é, ao estatuto dos companheiros. No primeiro treino com a selecção, em Agosto do ano passado, Messi deu uma série de “nós cegos” na “peladinha”. O adversário era Heinze. Ora, como bem refere o jornalista do “El País”, um central argentino experiente humilhado assim por um puto torna-se “numa máquina de cortar ligamentos”. Moral da história: o treinador ao ver que um dos seus jogadores estava perto de perder a honra e outro perto de ficar com o joelho destruído, mandou Messi ir treinar-se para outro lado. É por estas e por outras que a Argentina está no topo da lista para ganhar este Mundial. Fujamos dela.
Ecos do Mundial

Depois da tempestade, eis a bonança, que é como quem diz depois da trovoada, eis que a Net volta a estar funcional. Já passámos a primeira metade do Mundial – o Espanha-Tunísia de ontem foi o 32º de 64 jogos – e há muito mais para dizer sobre o Mundial:
- Este é, definitivamente, o Mundial dos golos, dos bons golos. O melhor, para mim, foi o do Cambiasso, no Argentina-Sérvia(e pouco Montenegro): 26 passes, inlcuindo o remate final, deram corpo a uma magnífica jogada colectiva.
- Os lances de bola parada, ou jogadas de estratégia como lhe chamam os treinadores, continuam a ser cada vez mais decisivos. E o espaço aéreo cada vez mais disputado. Jordi Álvaro, professor na Universidade Europeia de Madrid, revelou no El País um dado curioso: a média de altura dos jogadores participantes no Mundial de 1930 era de 1,73 m contra os 1,81m de 2006. Mas altura não quer dizer falta de qualidade. “Há alguns anos os altos jogavam nas equipas de basquetebol e de andebol pelo simples facto de o serem, mas hoje em dia, com a proliferação, de jogadores de mais de dois metros só jogam os altos de maior qualidade
- A Espanha despertou neste Mundial, graças a uma qualidade de passe extraordinária, à holandesa. Xavi, Xabi Alonso, Cesc e companhia levaram o modelo Cruyff para a selecção espanhola. E mesmo que não ganhe, a Espanha já ganhou…a admiração de quem gosta de futebol.
- Portugal está finalmente de volta à segunda fase do Mundial, 40 anos depois. A maturidade de uma equipa que sabe o quer dentro de campo e a boa-forma de Figo, Deco e Cristiano Ronaldo são as nossas maiores esperanças. Nos “oitavos”, já se sabe, são os pormenores que tudo decidem.


